A difícil tarefa de ser negro no Brasil


KABENGELE MUNANGA é uma pessoa singular. Como aliás o é a maior parte dos africanos na diáspora que não comungam das ideias de certos grupos sociais do continente. Hoje, é professor da USP.

Nasceu na República Democrática do Congo, antigo Zaire, em 19 de novembro de 1942. Mas acabou migrando para o Brasil, onde vive até hoje.

Soube, por meio de um release que chegou a minha caixa de emails, que estará em Salvador na próxima semana.

Ele fará a palestra de abertura do 3º Seminário Preconceito na fala, Preconceito na cor, que acontece na Casa de Angola, na Praça dos Veteranos, aqui em Salvador.

Vasculhando na web encontrei informações curiosas sobre este professor.

Olha a delicadeza deste trecho do depoimento dele publicado no Museu da Pessoa:

“Meu nome, pronunciando na minha língua materna, é Kabengele Munanga. Eu nasci em Bakwa Kalonji, no antigo Zaire, atualmente República Democrática do Congo, no dia 19 de novembro de 1942.

O nome do meu pai é Ilunga Kalama. O nascimento dele eu não sei, porque quando meu pai faleceu, eu era criança de 6 meses. Naquela época, em plena colonização, não havia cartório, então não tem registro.

Minha mãe é Mwanza Wa Biaya, nascida na cidade Bakua Mulumba, no antigo Zaire, não conheço a data dela de nascimento, mas meu irmão disse que ela teria falecido com uma idade estimada de 100 anos.

Convivi com ela até quando eu já era professor da Universidade Nacional do Zaire. Retirei ela lá da aldeia, para conviver comigo na Universidade, comprei uma casinha. Depois tive que deixá-la para emigrar para o Brasil, são as circunstâncias da vida. Eu não a vi mais, me separei dela. A última vez que a vi foi em 1980, quando fui buscar meus filhos, nos últimos 10 anos da vida dela nós não nos vimos.

Minha mãe, como uma mulher que nasceu no campo e cresceu no campo, era uma pessoa analfabeta. Tanto ela como meu pai eram analfabetos, em plena colonização, na época que eles nasceram não havia escola. Todo mundo diz que ela era uma pessoa muito generosa, muito social, tudo que tinha dividia com os vizinhos. Se ela ia para a feira comprar alguma coisa, na rua já estava distribuindo para os outros. Era muito amada pelas pessoas que a conheciam, tinha um coração profundamente humano.”

Abaixo, uma entrevista do professor num blog bem bacana, chamado EU, UM NEGRO:

A entrevista tá aqui: A difícil tarefa de definir quem é negro no Brasil

A seguir, uma lista fantástica de livros sobre o tema negritude no Brasil compilada pelo professor, com o apoio da Fundação Palmares.

Taí para quem se interessar: Cem anos e mais de bibliografia sobre o negro no Brasil

Mais informações sobre o seminário sobre preconceito racial neste endereço: http://www.rumoatolerancia.fflch.usp.br/node/2531

Anúncios

Comentários desativados em A difícil tarefa de ser negro no Brasil

Arquivado em Atualidade

Os comentários estão desativados.