Axé, Hilda Jitolu


Nasci no Curuzu, no final dos anos 60, em casa, no número 23, da Rua Progresso, pelas mãos de uma parteira que minhas tias do Recôncavo e minha mãe me ensinaram a chamar de mãe, Mãe Tereza.

Não sei se ainda vive esta criatura que me ajudou a vir ao mundo.

Mas desde cedo aprendi, com os afrodescendentes da minha família materna, o respeito aos mais velhos, sobretudo às mulheres, e aos nossos ancestrais.

Não abracei o candomblé como religião – talvez o meu lado mestiço tenha me inclinado a tomar outro rumo – mas respeito profundamente este conhecimento milenar.

Por tudo isto, e como faço sempre que posso, fui ao Curuzu ontem.

Pedi a minha mãe uma reza de olhado, que ela aprendeu ainda menina com uma moça de Acupe, ali pertinho de Santo Amaro da Purificação.

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A vizinhança de mãe Hilda estava em silêncio.

O povo de santo do bairro estava no Jardim da Saudade, a reverenciar a memória da ialorixá.

Pelo que vi hoje nos jornais, foi uma despedida à altura de sua importância.

Mas para nós, que nos identificamos com este patrimônio que a África nos legou, fica a imagem de uma mulher que, como tantas outras anônimas na Bahia, resistiu (ela) e resistem (elas) às dificuldades de se ser negro no Brasil.

Axé, Hilda Jitolu.

Descanse em paz.

CLIQUE AQUI e leia mais sobre o sepultamento de mãe Hilda.

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