Michael, África e o funeral


Claro que o showbusiness vai tirar o seu quinhão.

Mas (podem até me chamar de louca) vislumbrei naquele funeral espetáculo de Michael traços de africanidade.

Sim, afinal, em África, morrer não é como no ocidente. O nosso ritual mórbido do sepultamento não cabe na despedida animada dos africanos.

Vi, por várias vezes, em Luanda, cortejos fúnebres. Em quase nada assemelham-se ao nosso rito recheado de conceitos herdados da Santa Sé.

Certa feita, lá em Angola, um colega de trabalho chegou se enganar. Pensou que a casa do vizinho estava em festa e perguntou como fazia para entrar ali. “É um óbito”, disse um dos angolanos presentes ao evento.

Expliquei com vídeo e tudo em outro post. Valapena conferir clicando aqui.

Enterro na Costa do Marfim

Mas voltando a Michael, um afrodescendente controverso, ícone da cultura pop idolatrado por milhões de fãs de todas as etnias, aquela cerimônia me fez lembrar Angola.

Em África, vinho, cerveja, comes e bebes, dança, música e, às vezes, animação.

Na América, caixão folheado a ouro, música, 17 mil pessoas na platéia e um espetáculo com artistas de renome internacional.

Guardada$  a$ devida$ proporçõe$,  em ambos os casos, os ingredientes determinam, na visão/cultura de quem promove o funeral, a dignidade da cerimônia e o respeito ao morto.

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Abaixo, Paris, a filha de Michael, faz uma declaração pública de amor ao pai no funeral espetáculo:

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