O requebro do semba


“O samba nasceu foi na Bahia e se hoje ele é branco na poesia ele é negro demais no coração”

(Vinícius de Moraes)

O pai do samba veio de longe, veio de África. É o semba. Sim, este ritmo que Margareth gravou no CD do post abaixo, junto com a galera de Angola.  É música de tradição no país africano. Segundo o site Angola Xyami, a palavra que o denomina quer dizer umbigada, em quimbundo. Na Bahia, berço do samba brasileiro, até hoje existe uma manifestação da cultura popular com este nome. Numa explicação bem simples, a umbigada é o sinal que o dançarino dá, no meio da roda, convidando outro para sambar. O ritmo brasileiro, que nasceu no Reconcavo Baiano, a partir do chamado batuque (manifestação ritmica dos negros escravos) é, desde 2005, considerado patrimônio da humanidade.

Como aconteceu com o culto afro-brasileiro, até fins do século 19 era proibido sambar. Os locais onde os negros brasileiros se reuniam eram mal vistos pela população. Somente depois da Lei Áurea, em 1888, é que passou a ser melhor visto pela sociedade branca do Brasil. A partir de então, o ritmo que nasceu batuque, passou pelo  maxixe e o lundu, caiu no gosto do país. Hoje, após ter sido exportado pela Tia Ciata para o Rio de Janeiro, invade o sambódromo no Carnaval. Sobrevive na Bahia nas rodas do Reconcavo, onde senhoras utilizam o prato para marcar o ritmo. Como diria Caymmi, “quando se samba todo o mundo bole”…

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